Breve antologia de impropérios, vitupérios, ofensas & afins pronunciados nos estádios argentinos (guia para entender o vocabulário no superclássico)

BlogInsultosHaddock2 - copia

O capitão Haddock, parceiro das aventuras de Tintin, e seu colossal arsenal de impropérios. Nos estádios argentinos os torcedores possuem menos sutilezas (mas são mais freudianamente mais interessantes)

As variadas expressões para ofender/insultar/irritar alguém na sociedade argentina podem ser vistas de forma concentrada durante as horas transcorridas durante a chegada a um estádio de futebol, no período ao longo do jogo (com o intervalo incluído) e também na saída do recinto esportivo, enquanto os torcedores partem de volta para o aconchego de seus respectivos lares.

Mais além do âmbito do estádio (e seus arredores), os epítetos também podem ser pronunciados nas escalas ocasionais no meio do caminho de volta, isto é, pit stops nos quais os torcedores eventualmente intercambiam opiniões com os rivais e, desta forma, protagonizam cenas de pugilato ou telecatch com representantes de outros times. E, comme il faut, também costumam incluir a depredação de patrimônio público ou privado no meio do caminho.

Para orientar o turista/torcedor brasileiro, colocamos aqui uma breve antologia das expressões utilizadas:

La concha de tu madre: “Concha” é a palava, na gíria local, para referir-se à vagina de forma chula. “Madre” é a mãe. Portanto, a pessoa que profere esta frase refere-se à vagina da progenitora de outrem.

Quase sempre é acompanhado, no início, do verbo “andar”. A frase, desta forma, seria “andá a la concha de tu madre” (vá para a vagina de tua mãe”).

No entanto, em vez desta opção imperativa, também pode ser usada uma variante inquisitiva de com convidativo, que é a “porqué no te vas a la concha de tu madre” (porque é que você não vai à vagina de sua mãe?”).

E, como reforço não-obrigatório, poderia ser ampliada com a inclusão do insulto “boludo”, desta forma: “porqué no te vas a la concha de tu madre, boludo?”.

La concha de tu hermana: A mesma utilização do verbete acima. No entanto, muda a protagonista e dona da vagina, que passa a ser a irmã. Ocasionalmente pode ser citada a “abuela” (avó).

Forro: Esta palavra era a princípio uma gíria argentina para designar o preservativo. No entanto, começou a ser usada como um peculiar insulto, indicando que alguém equivale a um preservativo (algo estranho, pois o preservativo é um elemento útil).

Uma versão mais específica pode ser “forro pinchado” (preservativo furado, expressão que aí sim, indica que alguém é um fracasso).

Hijo de puta: Forma usada para explicitar o desagrado com alguém que é má pessoa. Esta é a versão em espanhol do clássico mundial no qual afirma-se que o interlocutor (ou a pessoa citada na conversa) tem uma mãe dedicada à atividade sexual paga.

Mas, na Argentina estão as peculiares versões que pretendem intensificar o epíteto. Uma delas é “hijo de mil putas” (filho de mil putas), uma condição impossível, pois a pessoa seria filho de múltiplas mães. No entanto, é uma licença poética permitida aos epítetos.

Andate a la puta que te parió: Com esta expressão a pessoa expressa ao interlocutor que vá procurar sua mãe, senhora de profissão sexual, que lhe deu a luz. O equivalente em português ao “vá à puta que te pariu”. Mas, a tradição argentina é rica em reforços. Portanto, esta expressão pode ser potencializada com um aditivo, como “boludo de mierda” (ver explicação). Logo, a expressão fica ampliada para “andate a la puta que te parió, boludo de mierda”.

Le vamos a romper el orto: Uma expressão que indica o desejo de sodomia com outrem. Neste caso, ativamente. Seria o equivalente a “vamos a quebrar os ânus deles” (implicitamente com o membro viril, e não com o uso de elementos artificais de penetração).

Paradoxalmente, os torcedores que proferem esta expressão se vangloriam de sua heterosexualidade (e também costumam ser homofóbicos), embora neste comentário ofensivo explicitem a realização de um coito anal com o rival/inimigo. Sigmund Freud, se estivesse vivo, faria a festa nos estádios em todo o planeta.

Mierda: Palavra em castelhano para “merda”. A utilização da palavra para designar os excrementos humanos é polivalente, já que aquele que pronuncia a expressão ressalta – com esta palavra curta e sonora – que algo alguém possui escassa ou nula qualidade estética, moral ou material. Isto é, que não é do agrado de quem faz a avaliação.

Os torcedores argentinos também unem características físicas à palavra “mierda” para potencializar o insulto. Por exemplo, “gordo de mierda” (gordo de merda). Também podem ser usadas grupos étnicos ou nacionalidades (um hit parade dos insultos em todo o mundo), como por exemplo: “moldavo de mierda!” (em referência aos cidadãos da Moldávia, nome da antiga Bessarábia).

Inclusive, serve para reforçar um insulto independente como “boludo”, que pode ser tonificado como em “boludo de mierda”.

Poderíamos dizer que no idioma de Cervantes e Bilardo a palavra tem mais força do que na língua de Camões e Zagalo, já que a letra “i” do meio propicia um tom mais ferino.

Ao mesmo tempo a letra “r” em espanhol (exceto em Cuba, onde é quase uma “l”) tem uma sonoridade intensa, que supera o “r” suave carioca que espalhou-se nas últimas décadas pelo Brasil.

Ir a la mierda: Expressão que, no caso de “andate a la mierda” (vai à merda) é utilizada para indicar que desejamos que o interlocutor vá para esse lugar físico e supostamente remoto nunca antes cartografado. No entanto, também pode ser usada de forma reflexiva, como avaliação sobre o péssimo desempenho de um time para o qual torcemos. Neste caso, “nos fuimos a la mierda” (fomos à merda).

Boludo: Este é o impropério argentino par excellence, que indica o ‘idiota’, ‘imbecil’, ‘tonto’, ‘panaca’. A expressão-insulto – a preferida neste país – designa aquele que possui “bolas” (testículos) grandes. Em diversas culturas, expressões similares eram utilizadas para referir-se a algum panaca sideral. É o caso dos italianos, que utilizam há séculos a expressão ‘coglione’. Nestes casos, servia para indicar que alguém tinha os testículos tão grandes que não podia mover-se de forma normal.

Uma corrente, atualmente desprestigiada no mundo acadêmico, indicava décadas atrás que a etimologia de “boludo” provinha das ‘boleadoras’, a tradicional armas dos índios dos Pampas (e posteriormente dos gauchos), feita por uma corda em cujas pontas eram colocadas duas bolas (quando eram arremessadas, as boleadoras pegavam um animal pelas patas – ou o pescoço – derrubando-o). Isto é, era ‘boludo’ quem era pego – ou ficava tonto – pela ação das boleadoras. De todas formas, ‘boludo’ sempre indicou o ‘imbecil’.

Mas o uso do “boludo”, por parte de estrangeiros, deve ser usado com parcimônia até que a pessoa consiga um completo domínio do termo, para poder utilizá-lo em sua plenitude, sem que pareça forçado ou artificial. “Não existe ninguém mais boludo do que esses estrangeiros que, para imitar os argentinos, ficam dizendo ‘che’ e ‘boludo’” indica “Puto el que lee – Diccionario Argentino de insultos, injurias e impropérios”, pequena mas excelsa obra sobre os insultos aplicados costumeiramente no país.

BlogBoludo

Além de pronunciar a palavra “boludo” os argentinos também recorrem à gestualidade para para indicar que alguém merece o epíteto. Para esta ação, a pessoa requer exibir a mão entreaberta, emulando o formato de uma tulipa (dedos separados, pontas para cima), embora, na realidade, seria como se estivesse contendo grandes testículos. O gesto deve ser realizado com a mão na altura do peito. O movimento deve ser lento. No sentido vertical, começando de baixo para cima. Repetir movimento para baixo. Percurso médio de 5 a 10 centímetros. Caso queira indicar que o boludo em questão é um considerável boludo, o gesto deve implicar em um aumento da distância do percurso vertical da mão. Quanto maior o percurso, mais o gesto adquire intensificação semântica.

Pelotudo: Sinônimo de Boludo. Nas últimas duas décadas, o “pelotudo”, graças à certa perda de potência do significado de “Boludo”, ficou cada vez mais valorizado. Seu uso em espanhol portenho pode ser como um insulto afirmativo: “Sos un pelotudo” (Você é um pelotudo). Mas também pode ser usado, com muita frequência, como interrogativo (uma característica vinculada à tradicional ironia argentina): “No ves que sos un pelotudo?” (Você não vê que é um pelotudo?). Na hora de pronunciar faça ênfase na sílaba “tu”, assim: “pe-lo--do”.

Chorro: Gíria para “ladrão”. Aplicado, principalmente, aos árbirtos de futebol.

Sorete: Unidade fecal. Também pode ser usada a versão silábica ao contrário, “tereso”.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios é desde 1996 o correspondente em Buenos Aires do canal de notícias Globo News, para o qual cobre os países da América do Sul. Ele foi o correspondente de O Estado de S.Paulo (1995-2015), da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Foi colunista da Revista Imprensa e colabora eventualmente com o Observatório da Imprensa.

Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com o correspondente internacional Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

Em 2014 recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

Ariel formou-se em 1987 na Universidade Estadual de Londrina (PR) e fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993.

Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

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Uma overdose de super-clássicos (e um breve glossário river-boquense)

Battle of Plataea

Gregos e Persas trocam sopapos a granel na Μάχη των Πλαταιών/Machē tōn Plataiōn,  isto é, a Batalha de Platea, no ano 479 a.C. Dois milênios e meio depois as torcidas do River Plate e do Boca Juniors encaram cada superclássico como se fosse um batalha final entre os dois rivais. Naquele encontro na planície da Beócia o placar foi favorável aos gregos.

No Palio de Siena, explica o jornalista e escritor Guga Chacra, realizado todos os anos duas vezes no verão, uma em julho e outra em agosto, cavalos representando cada uma das “contradas”, ou mini-bairros dessa cidade toscana, disputam há séculos uma corrida na Piazza il Campo, depois de um tradicional desfile de bandeiras. Nesse embate, cada contrada costuma ter uma rival. A Aquila é inimiga da Pantera; a Istrice, da Lupa; a Tortuca, da Chicciola; a Torre, da Onda.

Algo similar ocorre no futebol argentino, onde certos times possuem um rival comme il faut (e os outros são rivais ocasionais, de muito menor magnitude). Entre os embates “clássicos” estão os do…

Racing x Independiente,

San Lorenzo x Huracan.

Vélez Sarsfield x Ferrocarril Oeste,

Chacarita x Atlanta

Estudiantes de La Plata x Gimnasia y Esgrima.

…e o Rosario x Newell’s, entre outros.

Mas esses confrontos futebolísticos são “clássicos”. O único “super-clássico” – segundo a vox populi e na opinião dos analistas esportivos – é apenas o confronto do River Plate e o Boca Juniors, cuja rivalidade que acumula quase 102 anos de existência. De um total de 217 jogos, o Boca venceu em 80 ocasiões. O River em 70. Os dois rivais empataram em 67 ocasiões.

Além do tempo acumulado que intensifica essa inimizade, existe uma questão de volume que torna este confronto algo que mobiliza paixões, tal como os gregos contra persas, romanos versus cartagineses ou os Capuletos contra os Montecchios, pois estes dois clubes concentram ao redor de 75% da torcida argentina. Tal proporção inexiste no Brasil, onde clássico algum reúne tal proporção da torcida brasileira. Isso tampouco ocorre na Itália, onde o Milan e o Juventus tampouco aglutinam essa porcentagem. Ou sequer o embate Bayern versus Dortmund.

De quebra, além do peso na torcida total do país, o River e o Boca estão na mesma cidade, fato que intensifica a rivalidade. Não é como o Barcelona e o Real Madri, quase com 113 anos de rivalidade, em cidades diferentes, nas quais os torcedores inimigos possuem pouco contato cotidiano, ao contrário dos torcedores dos portenhos River e Boca.

O único exemplo parecido é o do Peñarol e o Nacional, em Montevidéu, Uruguai, pois esses dois times reúnem 93% dos torcedores uruguaios. Além disso, de todos os clássicos do mundo, o Peñarol e o Nacional devem ser os que mais jogos acumulam: um total de 519 jogos, o dobro do Real Madri versus o Barcelona.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam no exterior, a rivalidade River-Boca não representa um conflito de classes sociais. O antigo mito indicava que o Boca era o “time da classe operária” e o River da classe média alta e a classe alta. No entanto, sempre foi um mito. Um mito que, com o passar das décadas foi ficando cada vez mais sem fundamentos. Nas últimas quatro décadas as sete graves crises econômicas que a Argentina (sem contar as crises médias e pequenas), além dos momentos de ascenção social, encarregaram-se de implodir os perfis sociais de outrora.

Hoje em dia o Boca conta com 33% de torcedores ricos, 33% de classe média e 33% de classe baixa, segundo pesquisas. O perfil social do River Plate similar.

BlogSuperclassico

Embate no final dos anos 40 entre o River e o Boca.

OVERDOSE DE SUPERCLÁSSICOS – A partir deste domingo o River Plate e do Boca Juniors protagonizarão uma overdose de superclássicos em um período de apenas 11 dias. O primeiro embate River-Boca ocorrerá no estádio de La Bombonera, dentro do âmbito do campeonato nacional.

No entanto, os dois seguintes confrontos são decorrentes da vitória que dias atrás o Boca Juniors teve sobre Palestino, do Chile, por 1 a 0. Com este placar entrou em ação o mecanismo da Copa Libertadores que levará o time dos “bosteros” à batalha com o time dos “galinhas”. Os dois seguintes encontros – nesses casos, dentro da Libertadores – ocorrerão nos dias 7 e 14 de maio, respectivamente no Monumental e na Bombonera.

O River acumula um período de péssimo desempenho, embora tenha iniciado um período de recuperação. O Boca, por seu lado, teve no último ano uma fase estupenda, embora recentemente tenha se estancado. Por esse motivo, para o River, esta é a melhor ocasião para um “relançamento”, uma chance de dar um “revamp”. Mas, para o Boca, o confronto com o River será um duelo de desgaste. Os analistas esportivos afirmam que, para o Boca, o ideal seria encontrar o River mais para a frente (por exemplo, em uma semifinal ou na final da Libertadores).

Os analistas também indicam que, mais além do espetáculo futebolístico e adrenalínico de um River versus Boca, o resultado deste embate, seja lá qual for, implicará em um duro golpe no ânimo do derrotado – por tempo indeterminado – e um entusiasmo enorme no vencedor. Além disso, estes jogos entre rivais históricos implicam em um grande desgaste físico e mental nos jogadores.

blog1livrosbook_thumb_thumbBREVE GLOSSÁRIO RIVER-BOQUENSE

El Monumental: Denominação do estádio “Monumental de Núñez”, do time River Plate. Mas, na realidade, oestádio do River chama-se “Antonio Vespucio Liberti”, em homenagem ao presidente do clube que o construiu em 1938. No entanto, usa-se a denominação popular de  “estádio Monumental de Núnez”, em referência ao bairro de Núñez. Apesar do nome, o estádio do River está no bairro de Belgrano, a poucos quarteirões da fronteira com Núñez. Coincidentemente, existe um time chamado “Defensores de Belgrano”, que está no bairro de Núñez.

Los Borrachos Del Tablón: “Os bêbados da prancha”, denominação dos hooligans do River Plate.

Gallina: “Galinha”. Nome sarcástico usado pelos bosteros para referir-se aos torcedores do River Plate.

Millonarios: Na década de 1930 o River decidiu investir em contratações caras, pagando elevados salários para seus jogadores, incluindo craques como Bernabé Ferreyra. Por este motivo, segundo os torcedores do clube, surgiu o apelido de “millonários” (milionários). No entanto, os boquenses possuem uma outra versão, que indica que os fanáticos do River eram da alta sociedade, e por isso eram chamados ironicamente de “milionários”. No entanto, há várias décadas que a composição social dessas torcidas mudou radicalmente. Hoje, há torcedores de todas as classes sociais nas fileiras do Boca e do River. A crise argentina de 2001-2002 – que criou uma classe média “arruinada” – alterou mais ainda esse cenário.

La Boca: Bairro da zona sul de Buenos Aires. O bairro chama-se assim porque está na “boca” do Riachuelo, fétido rio que separa a capital argentina da periferia meridional. Foi um dos portos da cidade durante o século XIX.

La Bombonera: Nome informal do Estádio do Boca Juniors, em pleno coração do bairro de La Boca. Tem esse nome porque parece uma caixa de bombons, sem a leve inclinação característica dos outros estádios. Na Bombonera, as arquibancadas estão quase em posição vertical. O nome oficial do estádio é “Alberto J. Armando”, um antigo presidente do clube.

Casa Amarilla: Velho casarão de um dos heróis da independência argentina, o almirante Guillermo Brown. Seu amplo terreno é utilizado como centro de treinamento do Boca Juniors.

La Doce: Torcida “dura” do Boca. Para alguns, são os “hooligans” do time. Para outros, apesar do comportamento mafioso, La Doce é a responsável pela “ordem” no estádio.

Bostero: Relativo a bosta, esterco. Originalmente, a denominação ofensiva dos torcedores do Boca criada pelos torcedores do River Plate. Atualmente, a palavra é usada com orgulho pelos próprios torcedores do Boca para autodefinir-se.

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Para encerrar, a Pavane de Gabriel Fauré, interpretada pelos 12 celistas da Berliner Philharmonker:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios é desde 1996 o correspondente em Buenos Aires do canal de notícias Globo News, para o qual cobre os países da América do Sul. Ele foi o correspondente de O Estado de S.Paulo (1995-2015), da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Foi colunista da Revista Imprensa e colabora eventualmente com o Observatório da Imprensa.

Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com o correspondente internacional Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

Em 2014 recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

Ariel formou-se em 1987 na Universidade Estadual de Londrina (PR) e fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993.

Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

Um tour pela cartografia mafaldiana

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Mafalda, na porta de seu prédio. Aqueles que desejarem fazer um tour ‘mafaldiano’, podem começar por aqui: Calle Chile 371, quase esquina com a rua Defensa, bairro de Monserrat (foto de Ariel Palacios).

Mafalda, a inconformista menina-filósofa de humor ferino, que disseca a conjuntura mundial e é apaixonada pelos Beatles (e odeia a sopa que sua mãe prepara) é o cartum argentino mais famoso em todo o planeta. Objeto de cult há décadas, foi criada pelo desenhista Joaquín Lavado Tejón, a.k.a. “Quino”. No final dos anos 60 ela já era considerada “cult” e celebridades como Umberto Eco e Julio Cortázar expressavam opiniões sobre essa menina (Cortázar expressava preocupação pelo que Mafalda eventualmente poderia pensar sobre ele).

Originalmente, Mafalda foi criada para ser a garota-propaganda de uma marca de eletrodomésticos. Mas, adquiriu vida – e tirinha – própria, na qual atacava a guerra do Vietnã, a Guerra Fria, o capitalismo selvagem, e também o totalitarismo, a Cortina de Ferro e a violência policial.

Durante décadas, o lugar de residência de Mafalda – a menina-filósofa criada pelo cartunista Quino – foi um mistério. Era vox populi que ela ‘morava’ na capital argentina. No entanto, o bairro era desconhecido. Mas, há poucos anos esse segredo foi revelado por intermédio de um grupo de jornalistas, fãs de Quino, que analisaram cada detalhe das declarações do cartunista à imprensa na qual dava pistas sobre o eventual ‘bairro mafaldiano’. Além disso, o grupo verificou que diversos prédios de uma área central de Buenos Aires correspondiam aos desenhos das tirinhas de Quino, além do ônibus da linha número 86, que “passava” pela tirinha.

Posteriormente, Quino confirmou os resultados da pesquisa sobre onde morava e brincava com seus amigos a menina autora de frases como “hoje entrei no mundo pela porta traseira” e “não é verdade que o passado foi melhor, o que acontece é que aqueles que estavam em má situação ainda não haviam percebido isso”.

BlogMafaldaPredio

Mafalda, seus pais e seu irmão Guille moravam na rua Chile, 371, no décimo andar, no mesmo prédio onde residiu nos anos 60 seu criado Quino. Desse lado da rua, na calçada do prédio de Mafalda, é o bairro de Monserrat. A calçada da frente pertence ao bairro de San Telmo.

Quino retratou seu edifício tal e qual era, com o detalhe da maçaneta de bronze no portão de entrada, registrado em vários quadrinhos no qual Mafalda está sentada, no degrau da frente.

Na esquina, na frente do prédio, está uma escultura de Mafalda feita pelo artista plástico Pablo Irrgang, em tamanho ‘real’.

No mesmo quarteirão, na esquina com a rua Balcarce, está o estacionamento onde o pai da heroína de Quino guardava todas as noites seu carrinho Citröen, com o qual a família passeava e ia de férias.

Na frente do prédio de Mafalda, atravessando a rua, já em San Telmo, está a banca de jornais de “Don Jorge” freqüentada pela menina-filósofa. A banca (kiosco de diarios, em espanhol) ainda está lá, embora com diferente dono.

BLOGMAFALDAINFLACION

“¿Sabían que Almacén Don Manolo vende baratísimo?…”

A uma quadra dali, na rua Balcarce 774, está o antigo armazén “Don Manolo”, do pai de Manolito, amiguinho de Mafalda que ficava no caixa sonhando em ser Rockfeller. Posteriormente o armazém transformou-se um quiosque e mais tarde tornou-se uma loja de souvenires mafaldianos. A família propietária era a mesma dos tempos de Quino. Quem atendia ali é o filho de Don Manolo, isto é, o póprio ‘Manolito’.

Na esquina da rua Peru e da avenida Independencia está a velha escola onde estudavam Mafalda com sua turma de amigos: Felipe, Miguelito, Susanita, Manolito e Libertad. De todo o entourage mafaldiano, quem mais padecia ir à escola era o dentucinho Felipe, que sempre se distraía com outras coisas. Ele próprio admitia com a emblemática frase dos vagais: “até minhas fraquezas são mais fortes do que eu!”.

BlogQuinoMafalda1

Charles M. Schultz (1922-2000), o criador do personagem Snoopy, da tirinha Charlie Brown, costumava definir Quino como “um gigante”. Acima, Quino e sua filha Mafalda.

Na Buenos Aires de tinta nanquim ela nasceu “oficialmente” no dia 15 de março de 1962. Nessa data ela foi criada para uma propaganda de um eletrodoméstico da empresa Mansfield. Com esta data ela teria hoje 53 anos.

Mas, para os portenhos deste nosso mundo de carne e osso, sua estreia para o público foi o 29 de setembro de 1964, quando virou tirinha no jornal “El Mundo” (periódico que não existe mais). Isto é, tornou-se cinquentona no ano passado.

Nessa ocasião, no entanto, Mafalda não “nasceu” com 0 anos…ela tinha “6 anos”. Desta forma, se quando apareceu para os leitores pela primeira vez tinha uma idade “quadrinhística” de seis anos de idade (ia na escola), agora ela teria 56 anos.

Mafalda foi publicada somente entre 1964 e 1973. No entanto, a tirinha continua sendo um boom de vendas em inúmeras reedições na Argentina e no resto do mundo.

Depois de Mafalda, Quino continuou tendo amplo sucesso com outras charges e tiras. Desde os anos 70 o desenhista reside na Europa.

BlogMafaldaMonica2

RENDEZ-VOUS DOS PAIS DE MAFALDA E MÔNICA

Nesta terça-feira, 21 de abril, o cartunista brasileiro Mauricio de Sousa, “pai da Mônica”, terá um rendez-vous público com Quino, “pai da Mafalda”. O evento histórico será no Centro Cultural Brasil-Argentina (CCBA), às 11h. O motivo desta reunião de cartunistas é a entrega a Quino e ao acervo do CCBA, de um desenho da Mônica, de autoria de Mauricio de Sousa, em homenagem aos 50 anos da Mafalda.

A cerimônia será presidida pelo Embaixador do Brasil em Buenos Aires, Everton Vargas.

blog1vinhetas25

blog1livrosbook_thumb_thumbPEQUENA ANTOLOGIA DE FRASES DE MAFALDA

“Mais do que um planeta, este aqui é uma grande casa da mãe Joana espacial!”

“O negocio é encarar a artificialidade com naturalidade”

“O pior é que a piora começa a piorar”

“Todos acreditamos no país! O que já não sei a esta altura é se o país acredita na gente…”

“Estamos fritos rapazes! Acontece que, se a gente não se apressa em mudar o mundo, depois é o mundo que muda a gente…”

“E Deus terá patenteado a ideia deste manicômio redondo?” (pensa, depois de olhar para o globo terrestre na sala de sua casa)

“Parem o mundo, que eu quero descer!”

“Não há nada! Em todos os canais só há televisão!” (Mafalda, procurando algum programa bom na TV)

“E por favor, senhor, que nunca sejamos o presunto do sanduíche internacional” (Mafalda, à noite, rezando)

“Todos acreditamos no país…o que a gente não sabe é se neste ponto das coisas o país acredita na gente!”

“Se viver é durar, prefiro uma canção dos Beatles em vez de um long play dos Boston Pops”

“Errare politicum est”

“Não é que não haja bondade..o que acontece é que ela está incógnita”

blog1livrosbook_thumb_thumbFRASES DOS AMIGOS DA MAFALDA

De Manolito: “Os cheques de teus insultos não possuem fundos no banco de meu ânimo”

De Manolito: “Fala-se muito sobre depositar confiança, mas nunca dizem os juros que pagam”.

De Manolito: “Nossa mãe! Como é possivel que seja tonto, e ainda por cima, ad honorem?”

De Susanita: “Amo a Humanidade..o que me enche a paciência são as pessoas”.

De Miguelito: “Não quero brinquedos que me ensinem a matar…quero ser autodidata!”

Quino Felipe

De Felipe: “Decidi enfrentar a realidade. Portanto, quando a realidade fique bonita, me avisem”.

Da pequena Libertad: “Uma pulga não pode picar uma locomotiva. Mas pode encher de picadas o maquinista”…

De Guille: “Quando um país fica gasto, onde é que se joga fora?”

BlogCortazar

O escritor argentino Julio Cortázar, que queria saber o que Mafalda pensava dele.

blog1livrosbook_thumb_thumbFRASES DAQUELES QUE QUERIAM TER SIDO AMIGOS DA MAFALDA

De Julio Cortázar, em uma entrevista em 1973: “O que é que eu penso da Mafalda? Isso não importa! O importante é o que é que a Mafalda pensa de mim”

De Umberto Eco: “Já que nossos filhos preparam-se para ser – por escolha nossa – uma multidão de Mafaldas, nos parece prudente tratar Mafalda com o respeito que merece uma personagem real”

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios é desde 1996 o correspondente em Buenos Aires do canal de notícias Globo News, para o qual cobre os países da América do Sul. Ele foi o correspondente de O Estado de S.Paulo (1995-2015), da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Foi colunista da Revista Imprensa e colabora eventualmente com o Observatório da Imprensa.

Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com o correspondente internacional Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

Em 2014 recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

Ariel formou-se em 1987 na Universidade Estadual de Londrina (PR) e fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993.

Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

Brasil, Argentina e uma agenda de quiproquós bilaterais

Blogcampos_salles_roca

No centro da foto, posam em 1900 nas docas de Puerto Madero, os presidentes do Brasil e da Argentina: Campos Salles e Roca. Os dois, com bom feeling pessoal, deram o ponta-pé inicial para a aproximação comercial entre os dois países. 

blog1dedo4cO chanceler Mauro Vieira, que foi embaixador na Argentina entre 2004 e 2009, se reunirá nesta quarta-feira com o chanceler argentino Héctor Timerman e outros integrantes do governo da presidente Cristina Kirchner para analisar os quiproquós existentes na relação bilateral.

Os principais problemas entre os dois lados da fronteira são as barreiras comerciais aplicadas há anos pelo governo Kirchner, que violam o espírito que existe – pelo menos teoricamente, no papel – de livre comércio entre os países do Mercosul. Além das barreiras, o esfriamento da economia brasileira e a recessão na Argentina complicaram o comércio bilateral.

O intercâmbio Brasl-Argentina caiu de US$ 36,079 bilhões em 2013 para US$ 28,427 bilhões em 2014, constituindo o menor volume desde 2008, equivalente a uma queda de 21,2%.

O saldo comercial a favor do mercado brasileiro – que havia sido de US$ 3,152 bilhões há dois anos – foi de apenas US$ 141 milhões no ano passado. Desta forma, o superávit do Brasil com a Argentina caiu 95,53% em 2014 em comparação com 2013. Este é o mais baixo superávit que o Brasil teve com a Argentina desde 2003, ano em que o mercado brasileiro encerrou nove anos de persistente déficit com os argentinos, iniciado em meados da década de 90.

Se 2014 foi um ano difícil no comércio bilateral, 2015 também começa mal, pois em janeiro o intercâmbio Brasil-Argentina caiu 25,3%, o mais baixo nesse mês desde 2009.

De quebra, no Brasil existe preocupação pelos recentes acordos comerciais e de investimentos feitos pela Argentina com a China. Os pactos assinados pela presidente Cristina com Beijing garantem às empresas chinesas privilégios (que o Brasil jamais teve) para participar de licitações públicas (fato que prejudicaria as empresas brasileiras), ausência de tarifas alfandegárias para exportar ao mercado argentino insumos e bens de capital (como se fosse um sócio do Mercosul), entre outros.

O PENDENTE ACORDO AUTOMOTIVO – Os dois países também possuem pendente na agenda bilateral a definição sobre o acordo automotivo. No ano passado, depois de meses de delongas sem uma definição para o novo pacto, os dois governos tiveram que fechar um acordo automotivo transitório.

Este acordo, de um ano de duração, vence no dia 30 de junho de 2015, e serve como resguardo-tampão para o comércio automotivo bilateral enquanto os dois governos não definem o acordo de longo prazo de duração, que começaria em julho de 2015.

Na ocasião do anúncio, no ano passado, a ministra da Indústria da Argentina, Debora Giorgi, declarou que o acordo de longa duração teria vigência de cinco anos.

O intercâmbio automotivo jamais desfrutou do livre comércio dentro do Mercosul. O plano original, desde 1991, era que o livre comércio imperaria a partir do ano 2000. Mas, de lá para cá, desde o governo do presidente Fernando De la Rúa (1999-2001), passando pela administração Néstor Kirchner (2003-2007) até a presidente Cristina, os negociadores argentinos sempre conseguiram arrancar do Brasil permanentes renovações do regime. Em Buenos Aires e Brasília ambos governos optam pelo uso do eufemismo de “comércio administrado” para a ausência de livre comércio.

MEDIDAS PROTECIONISTAS – A administração Kirchner aplicou ao longo dos últimos 11 anos um variado cardápio de medidas protecionistas, entre as quais as licenças não-automáticas (que nos últimos anos implicaram em demoras de até seis meses para a liberação das mercadorias), valores-critério, medidas anti-dumping e a imposição de cotas aos empresários brasileiros que exportam para a Argentina (denominadas com o eufemismo de “acordos voluntários”).

O ponta-pé inicial ocorreu em julho de 2004, quando o presidente Néstor Kirchner deflagrou a “Guerra das Geladeiras”, que constitui uma ofensiva generalizada contra a entrada de produtos de linha branca, eletrodomésticos e televisores brasileiros.

Nos anos seguintes as barreiras protecionistas continuaram sua expansão. Em alguns casos, desde 2011, foram reforçadas por ordens verbais, não-escritas, emitidas pelo então secretário de comércio interior, Guilermo Moreno.

No entanto, todas estas medidas foram acompanhadas desde fevereiro de 2012 pelas “Declarações Juramentadas Antecipadas de Importação (DJAI)”, modalidade de obstáculo alfandegário que atinge 100% dos produtos importados de todos os países.

As DJAI constituem uma imposição a todas as empresas que desejem importar a realizar uma apresentação, de forma prévia, de um relatório detalhado à Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip). No entanto, ersta norma não prevê qualquer espécie de prazo para que o Fisco emita uma decisão. Isto gera um cenário no qual os empresários frequentemente devem esperar longos meses até saber se poderão – ou não – importar um insumo ou bem de consumo.

BlogPromessaHenryScottTukeThePromise

“A Promessa”, do inglês Henry Scott Tuke (1858-1929). A obra, de 1888, está no Walker Art Gallery, em Liverpool.

PROMESSAS E REMAKES DE PROMESSAS – Desde 2013 o governo Kirchner prometeu em diversas ocasiões a “flexibilização” das barreiras comerciais argentinas. O então chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, foi o primeiro a ouvir essas promessas por parte do chanceler Timerman. “Resolveremos isso imediatamente”, prometeu o argentino.

Meses depois as promessas foram repetidas ao então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) Fernando Pimentel.

Em março de 2014, foi a vez de um remake das promessas – por parte do ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, para o sucessor de Pimentel, Mauro Borges.

Ao longo dos últimos 11 meses o governo Kirchner sequer se esforçou em fazer novas promessas sobre flexibilização das barreiras para facilitar a entrada de produtos Made in Brazil.

blog1livrosbook_thumb_thumbPEQUENO GLOSSÁRIO MERCOSULÊS

RELANÇAMENTOS Desde 1999 os países do Mercosul propuseram o “relançamento” do bloco em cinco ocasiões, como tentativa de maquiar sua erosioanda imagem. Ao longo desse período os dois governos bolaram diversos instrumentos, com suas respectivas comissões (e integrantes dessas comissões) para resolver os problemas “de forma acelerada e prática”. Uma das criações, em 2004, foi a do tribunal para a solução de controvérsias (que até agora agiu apenas em um punhado de ocasiões). Em 2006 foi a vez do “Mecanismo de adaptação competitiva” em 2006 (que jamais foi colocado em funcionamento).

PACIÊNCIA ESTRATÉGICA – Expressão utilizada para designar a paciência que os governos brasileiros tiveram com a Argentina, de olho em um horizonte a longo prazo, e portanto, com viés estratégico.

FLEXIBILIZAÇÃO – Expressão usada pelos negociadores argentinos para indicar que alguma hora pretendem realizar um “amolecimento” das barreiras (que teoricamente estão proibidas). 

blog1vinhetas25

FRASES – Ao longo da última década e meia, presidentes, ministros e secretários do Brasil e da Argentina minimizam os conflitos bilaterais recorrendo, nas declarações à imprensa, a argumentos futebolísticos (“a única coisa que nos divide é o futebol”) ou metáforas matrimoniais (“o Mercosul é como todo casamento, sempre existem brigas”).

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios é desde 1996 o correspondente em Buenos Aires do canal de notícias Globo News, para o qual cobre os países da América do Sul. Ele foi o correspondente de O Estado de S.Paulo (1995-2015), da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Foi colunista da Revista Imprensa e colabora eventualmente com o Observatório da Imprensa.

Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com o correspondente internacional Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

Em 2014 recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

Ariel formou-se em 1987 na Universidade Estadual de Londrina (PR) e fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993.

Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

Política econômica & Crise Copulativa: Desabastecimento de preservativos na Venezuela

V0001848 Gabriele Fallopio. Line engraving, 1688.

Gabriele Falloppio, um dos mais importantes anatomistas do século XVI, descreveu as trompas que levam os óvulos do ovário para o útero. Além disso, foi o criador em 1564 do primeiro preservativo masculino que está devidamente documentado. O cientista defendia o uso dessa proteção como forma de combater o flagelo hit parade daqueles tempos, a sífilis. “Convenci 1.100 homens a usar (o preservativo). E convoco Deus imortal para testemunhar que nenhum deles foi infectado”. Fallopio, homem versátil, também cunhou a planetariamente famosa palavra “vagina” (de quebra, também crunhou o termo ‘placenta’). Falloppio nasceu em 1523. O inconveniente Universo o descontinuou apenas 39 anos mais tarde. Seu invento, o preservativo, seria protagonista de uma crise de escassez cinco séculos depois na Venezuela, cujas costas haviam sido descobertas pouco mais de duas décadas antes do nascimento de Fallopio.

blog1dedo4cA escassez de produtos na Venezuela conta agora com um novo capítulo que desta vez, transforma a cópula em um grande problema, já que existe um inédito desabastecimento de “condones” – preservativos – nesse país caribenho comandado pelo presidente Nicolás Maduro. Por trás da escassez estão às restrições aplicadas pelo governo Maduro para que os importadores tenham acesso aos dólares. As mesmas restrições provocaram nos últimos anos complicações para a entrada de remédios, alimentos, insumos industriais, peças, fraldas, entre outros produtos.

Estas limitações aumentaram desde o ano passado devido à queda do preço do petróleo – principal produto de exportação desse país – fato que reduziu o volume de divisas para a Venezuela.

A escassez de preservativos provocou – além das anti-eróticas filas para ter insumos para sexo seguro – uma disparada do preço do produto.

Atualmente uma caixa de 36 preservativos, comprada no mercado paralelo ou por internet, alcança a cotação de 4.760 bolívares. Este valor equivale a 85% de um salário mínimo venezuelano, isto é, US$ 25 caso seja calculado no câmbio oficial. Mas, são US$ 750 no parelelo, valor similar ao de um Iphone novo nos Estados Unidos.

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Charles II da Inglaterra (1630-1685), representante da dinastia Stuart, era enfático adepto do uso do preservativo (Charles II, retratado por Sir Peter Ley)

REVIVAL DO COITUS INTERRUPTUS – A escassez de preservativos – e o revival do arcaico coitus interruptus entre os venezuelanos – também implica no risco de uma eventual expansão da Aids e de gravidez em adolescentes.

A Venezuela tem o quinto maior índice de gravidezes não-desejadas e de doenças de transmissão sexual na América Latina. Além disso, o país tem o terceiro maior índice de Aids por habitante da América do Sul.

Para enfrentar a escassez de produtos, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, o Parlamento venezuelano, vice-presidente do PSUV – o partido do governo – ordenou a formação de “comandos populares militares” para agilizar e eliminar as filas nos estabelecimentos comerciais.

O argumento do governo é que os empresários estão provocando as filas (mesmo que isso implicasse perder dinheiro) para gerar irritação na sociedade contra o presidente Maduro. O governo afirma que já está em funcionamento a “Fábrica Socialista de Preservativos” para – segundo Maduro – “blindar a pátria” contra a gravidez precoce.

BlogPapelHigienicoImperialTroops

Em 2013 a Venezuela foi notícia mundial pela escassez de papel higiênico. Nunca antes na História da Humanidade o papel higiênico havia estado presente nas teorias de conspiração de um governo. Segundo o presidente Maduro, traidores venezuelanos em conjunção com representantes de “El Imperio” haviam estado por trás desse complô para prejudicar a limpeza dos esfíncteres venezuelanos. Acima, o Império contra-ataca: soldados imperiais de Star Wars sobem por rolo de papel higiênico, prestes a realizar mais um inesperado ataque. “The force be with you”, poderiam ter proferido os jedis.

A ESFINTÉRICA CRISE – Em 2013 os esfíncteres venezuelanos estiveram no olho do furacão de uma insólita crise de escassez de papel-higiênico. O desabastecimento do produto gerava filas nos supermercados e farmácias, enquanto que o governo em Caracas, isto é, a Revolução Bolivariana, anunciava que acabaria com a suposta “campanha midiática” que a oposição e a “oligarquia” estavam fazendo sobre este visceral assunto.

O governo acusava a oposição e os empresários de estocar e provocar o sumiço de papel higiênico (entre outros produtos) para tentar derrubar o presidente Maduro, que tomou havia tomado posse pouco tempo antes. Nunca antes na História da Humanidade o papel higiênico havia estado presente nas teorias de conspiração de um governo.

Na ocasião a administração Maduro deixou claro que não se intimidaria, pois o então ministro do Poder Popular para o Comércio, Alejandro Fleming sustentou que “a Revolução trará ao país 50 milhões de rolos de papel higiênico para que nosso povo se tranquilize!”

Segundo as autoridades chavistas, o objetivo era o de “saturar” o mercado local com papel higiênico. Desta forma, derrotaria os agentes do imperialismo.Para dissipar dúvidas sobre a capacidade industrial nacional para a produção desse produto, o ministro Fleming destacou que “não existe deficiência na produção de papel higiênico”.

Posteriormente Maduro mudou sua estratégia e deixou de acusar a oposição e os Estados Unidos para alegar que o produto estava escasso por um motivo positivo: os venezuelanos estavam comendo mais, logo, requeriam, momentos depois – e no meio do caminho, os costumeiros movimentos peristálticos – mais papel-higiênico.

O governo da Venezuela declarou na época que o país possuía um consumo mensal de 125 milhões de rolos de papel higiênico. Mas, a demanda extra em 2013 desse insumo imprescindível para a limpeza dos esfíncteres havia aumentado – segundo o governo – em 40 milhões de rolos. O ministro Fleming – para dar uma demonstração de força – sustentou na ocasião que o governo chavista levaria mais rolos para os venezuelanos, apenas como demonstração de poder. “Vamos trazer 50 milhões de rolos para demonstrar a esses grupos que não conseguirão nos derrotar!!”.

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O presidente Maduro foi eleito em 2013 com 50,6% dos votos. Em outubro passado sua aprovação popular estava em 30,2%. Em novembro havia caído para 24,5%. Mas em dezembro baixou para 22%, segundo a consultoria Datanálisis. O presidente Hugo Chávez, antes do anúncio oficial de sua morte, em março de 2013, contava com 65% de popularidade, isto é, o triplo de popularidade que seu sucessor.

CONSPIRANÓIAS – Maduro recebeu de herança uma crise econômica do defunto presidente Hugo Chávez que expandiu-se de forma acelerada durante seu governo. Além disso, está com dificuldades de conciliar as diversas correntes do bolivarianismo, algumas das quais reclamam da crise econômica que assola o país.

Maduro, em vez de tentar dialogar com os setores chavistas críticos, optou por considerar que são “traidores” aqueles que pensam diferente, E, por isso, no ano passado criou um “disk-traidor”, isto é, um serviço telefônico e de mail para que os militantes fiéis denunciem os ‘traidores’, isto é, aqueles que pregam uma auto-crítica do partido. Um dos setores críticos é o “Maré Socialista”, que concentra chavistas insatisfeitos com Maduro.

Quando o presidente (e tenente-coronel) Chávez, antes de morrer, definiu que seu sucessor seria Maduro – um civil – isso desagradou vários setores, especialmente os militares.

Com o anúncio oficial de sua morte, em março de 2013, assumiu formalmente Maduro, que poucas semanas depois passou pelo crivo de eleições presidenciais, as quais venceu com uma minúscula margem de votos. De lá para cá a popularidade de Maduro foi caindo sem parar.

Maduro até tentou conquistar setores da sociedade alegando que tinha um contato sobrenatural ornitológico com Chávez, afirmando que o espírito do defunto líder havia encarnado em um passarinho com o qual conversava.

Maduro também tentou desviar a atenção da opinião pública anunciando a existência de 15 conspirações contra sua pessoa e seu governo, basicamente tentativas de magnicídio. No entanto, pessoa alguma foi julgada por esses supostos complôs, sequer Maduro apresentou provas sobre as conspirações, que os venezuelanos com ironia denominam de “conspiranóias”, mix de paranoia e conspiração.

O principal teste de Maduro ocorrerá na segunda metade deste ano, quando serão realizadas eleições parlamentares. O presidente precisa uma vitória nas urnas para reforçar seu abalado comando dentro do chavismo.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios é desde 1996 o correspondente em Buenos Aires do canal de notícias Globo News, para o qual cobre os países da América do Sul. Ele foi o correspondente de O Estado de S.Paulo (1995-2015), da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Foi colunista da Revista Imprensa e colabora eventualmente com o Observatório da Imprensa.

Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com o correspondente internacional Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

Em 2014 recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

Ariel formou-se em 1987 na Universidade Estadual de Londrina (PR) e fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993.

Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

Caso Nisman: Mais uma semana de tragédia shakespeariana em ritmo de opereta

BlogCristinaCaoPinguim

Se tivesse nascido no século XX Jacques Offenbach (1819-1880) – que foi um dos emblemas da opereta, que é um tipo de ópera animada e anormal, com uma trama inverossímil e disparatada – poderia ter feito a música para um roteiro delirante de Graham Greene sob a hipotética direção de Federico Fellini sobre o intricado Caso Nisman e seus attachments políticos. O imbróglio policial-político cujo pivô é a morte desse promotor federal está causando uma crise adicional na reta final do governo da presidente Cristina Kirchner. Acima, a presidente argentina em uma imagem do vídeo no qual dirigiu-se aos argentinos para anunciar, em novembro de 2013, que havia recuperado-se de uma operação no crânio. Na ocasião dedicou dois terços do vídeo para apresentar seu cãozinho Simón. Além disso, mostrou um pinguim de pelúcia que havia recebido de presente.

blog1dedo4cBUENOS AIRES – Neste domingo completam-se três semanas do surgimento do corpo do promotor federal Alberto Nisman no banheiro de seu apartamento no bairro portenho de Puerto Madero, vestindo uma camiseta e cueca. Um tiro atrás da orelha direita, feita com uma arma calibre 22, sem apoiar na cabeça, completava o funéreo cenário. Quatro dias antes Nisman havia apresentado uma denúncia contra Cristina Kirchner, na qual indicava que a presidente argentina havia ordenado uma operação de encobrimento de altas autoridades iranianas que teriam coordenado o ataque terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 1994 em Buenos Aires. No ataque morreram 85 pessoas e outras 300 foram feridas e mutiladas. No dia seguinte à sua morte na agenda de Nisman estava programada uma crucial visita à Camara de Deputados, onde daria mais detalhes sobre sua denúncia sobre a presidente. O tiro no parietal, 24 horas antes, impediu o pontual Nisman de comparecer.

Nas duas primeiras semanas após a defunção a investigação sobre a morte de Nisman teve tons de uma tragédia shakespeariana em ritmo de ópera bufa à base de tango. Enquanto a imprensa, a opinião pública e os partidos da oposição, da direita à esquerda real, indicavam elevada suspeita sobre um eventual assassinato o governo Kirchner insistia na tese do suicídio. Dias depois a Casa Rosada mudou o discurso drasticamente e afirmou: “não foi suicídio”.

Nesta terceira semana os acontecimentos continuaram sucedendo-se em forma tragicômica. A seguir, um brevíssimo resumo de alguns dos surrealistas frenéticos 7 dias prévios:

1 – A promotora Viviana Fein, que investiga a morte de Nisman, inesperadamente anunciou que ia tirar férias. Seus colegas indicaram que estava sofrendo pressões do governo. Um dia depois anunciou que cancelava seus planos de ir à praia e tirou da mala o maiô e o bronzeador. De quebra, deixou claro que não renunciaria.

2 – Os juízes não queriam pegar a batata-quente da denúncia de Nisman contra Cristina (ainda por cima, levando em conta que o promotor havia aparecido com um tiro na cabeça). A Justiça pediu para o juiz Ariel Lijo ficar com a missão. Mas Lijo recusou, alegando incompetência. Na sequência, a Justiça pediu para o juiz Daniel Rafecas, que também recusou. No entanto, a Câmara Federal de Justiça ordenou – categoricamente – que Rafecas pegasse o caso.

3 – Nesse intervalo, outro juiz, Claudio Bonadío, recebeu ameaças de morte. Ele não está no Caso Nisman, mas investiga a suposta lavagem de dinheiro nos hotéis de luxo que são propriedade da presidente Cristina Kirchner o sul do país.

4 – No domingo dia 1 de fevereiro o jornal Clarín havia publicado uma matéria na qual afirmava que Nisman havia preparado outro esboço de denúncia que finalmente descartou. Nesse esboço o promotor pedia a detenção da presidente Cristina e do chanceler Héctor Timerman, entre outros. Esse esboço, segundo o Clarín, estava na cesta de lixo de Nisman.

Mas, várias horas depois, o Centro de Informação Judiciária, controlado pela promotora-geral da República, Alejandra Gils Carbó, anunciou que não havia sido encontrado esboço algum com pedido de detenção.

Na 2afeira de manhã o chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, ficou famoso mundialmente ao protagonizar uma cena na qual, irritado, rasgou as páginas do Clarín, ressaltando que o jornal havia “mentido” e que os artigos sobre o esboço com o pedido de detenção da presidente era “um lixo”.

Um dia depois a promotor Fein afirmou que, na realidade, a matéria era correta: Nisman havia preparado o esboço com o pedido de detenção da presidente Cristina. Perante o vexame, o governo ficou calado.

5 – Cristina Kirchner – que havia quebrado o tornozelo no final de dezembro – voltou a aparecer em cadeira de rodas criticando a imprensa, a oposição, além de alegar “conspirações” contra seu governo.

Mas, dois dias depois, em visita oficial à China, Cristina apareceu sem cadeira de rodas, caminhando. “Lembram que fui em cadeira de rodas (à China)? Bom, graças a Deus, me recuperei e volto caminhando”, afirmou desde Beijing pelo Twitter.

O Twitter está proibido na China.

De quebra, pelo proibido Twitter a presidente Cristina recorreu a um surrado e preconceituoso clichê para gozar sobre o sotaque dos chineses quando falam outro idioma. Em vez de colocar a letra “L” em vez de “R”, Cristina indicou que mais de mil pessoas foram ao evento no qual discursou, e aí perguntava no Twitter, em referência à La Cámpora, denominação da juventude kirchnerista: “seriam todos de ‘La Cámpola’ e vieram só pelo aLoz e o petLóleo?”.

Segundo o jornalista Evan Osnos, da revista “The New Yorker”, “a presidente marcou um novo recorde em eficiência ofensiva racial: insultou um quinto da Humanidade em menos de 140 caracteres”.

6 – A notícia sobre Nisman teve impacto planetário: até a atriz americana Mia Farrow falou nas redes sociais sobre o assunto e acusou a presidente Cristina de mandar matar o promotor. A tenista Martina Navratilova também criticou Cristina por suas guinadas sobre o “suicídio/não-foi-suicídio”, afirmando que “tudo isso cheira mal”.

A presidente argentina, que nunca responde perguntas da imprensa, anunciou que responderá por carta a Farrow e Navratilova, para explicar às duas celebridades que ela não mandou matar Nisman e que tudo não passa de uma conspiração da imprensa.


Um breve interlúdio musical: da opereta “A grã-duquesa de Gérolstein”, “O trio dos conspiradores”. A obra , em três atos com música de Jacques Offenbach e libreto de Henri Meilhac e Ludovic Halévy.

7 – Enquanto isso, a promotora Fein descobriu que as câmeras de segurança do prédio de Nisman não funcionavam.

8 – Quase três semanas após a morte de Nisman a promotora Fein ordenou à Polícia que fosse ao Banco de la Ciudad de Buenos Aires verificar o conteúdo de uma caixa-forte que o promotor morto. Mas, a caixa estava vazia.

9 – Nos próximos dias o poderoso ex-espião do serviço de inteligência da Argentina Jaime Stiuso teria que prestar depoimento sobre a morte de Nisman. Stiuso, espião preferido de Néstor Kirchner (2003-2007) tornou-se um dos novos “inimigos número 1” de sua viúva, a presidente Cristina. Há 11 anos Kirchner ordenou a Stiuso que ajudasse Nisman em suas investigações sobre o caso AMIA. O ex-espião teria falado por telefone com o promotor na véspera de sua morte.

10 – A ex-mulher de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salado, declarou que recebeu um dia antes da morte do ex-marido uma revista com a foto dele com uma marca, feita à mão, como se simulasse um tiro na cabeça, entre os olhos. Nenhum outro exemplar da revista possui essa marca. A interpretação: uma mensagem mafiosa do que iria ocorrer.

11 – A deputada Laura Alonso, da oposição, declarou que Nisman, dias antes de morrer, lhe disse que “a presidente Cristina ordenou tudo” em relação ao pacto com Teerã.

12 – Quase no fim da semana o jornal britânico “Financial Times” afirmou que “o governo Kirchner está assustado e talvez esconda algo”. O jornal recomenda a criação de um time de especialistas internacionais independente para investigar esta misteriosa morte. Segundo o Financial Times, “desde que Nisman foi encontrado morto em seu apartamento em Buenos Aires, fica confirmado o ditado ‘a realidade supera a ficção na Argentina’, já que ninguém inventaria uma história assim”.

BlogBorgesPunhal

O escritor Jorge Luis Borges (1899-1986) segura um punhal. Fotograma del filme “Borges: un destino sudamericano”, de Tadeo Bortnowski e José Luis di Zeo.

13 – O Caso Nisman foi o foco de um debate sobre a literatura policial noir em um evento literário em Barcelona, o “BC Negra”.

Ali a escritora argentina Claudia Piñero afirmou que “para os argentinos sempre torna-se urgente encontrar um culpado bem rápido para que todos se tranquilizem”.

É o que o escritor Ricardo Piglia chamava de “a ficção paranoica”.

A Argentina tem uma enorme tradição de literatura policial, entre os quais os autores Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Piglia. Mas, esta literatura tem suas peculiaridades, adaptadas à realidade nacional, segundo dizia o escritor Carlos Gamerro, com os seguintes pontos:

– O crime sempre é cometido pela Polícia;

– O propósito das investigações é ocultar a verdade;

– A missão da Justiça é acobertar a Polícia;

– As pistas e os indícios materiais nunca são confiáveis, pois a Polícia chegou primeiro;

– E o último ponto: toda pessoa acusada pela Polícia argentina é inocente.

Esta definição não é de agora. Gamerro disse isso há 10 anos.

blog1vinhetas6

E aqui, novamente, “A grã-duquesa de Gérolstein”: Felicity Lott canta “Le Sabre de mon Père”.

blog1dedo4cE, para encerrar, um pequeno guia das mortes nas tragédias de William Shakespare:

BlogTragediasShakespeare
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Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com o correspondente internacional Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

Em 2014 recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

Ariel formou-se em 1987 na Universidade Estadual de Londrina (PR) e fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993.

Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

“Reforma” do serviço de inteligência de Cristina Kirchner manterá todos os espiões do plantel (e um pequeno dicionário de “espionês” argentino)

BlogEspionagemipcressfilecaineTempos de espionagem: Michael Caine como agente secreto no filme “The Ipcress File”, de 1965.

A presidente Cristina Kirchner enviou dias atrás ao Parlamento um projeto de lei para dissolver a Secretaria de Inteligência (SI) e substitui-la pela Agência Federal de Inteligência (AFI). O projeto será analisado nesta terça-feira, dia 3 de fevereiro, em uma comissão do Senado. Mas, apesar dos anúncios sobre uma “reforma” e “limpeza”, o projeto mantém os agentes de inteligência “em seus respectivos níveis, graus e categorias hierárquicas”. Além disso, por decreto, a presidente aumentou os salários desses espiões desde este domingo.

Desta forma, os funcionários do sistema de espionagem argentino, calculado entre 1.700 e 1.900 pessoas (o governo mantém segredo sobre o número de agentes), permanecerão em seus postos – entre os quais homens que ali trabalham desde os tempos da ditadura militar (1976-83) embora em um organismo com o nome e a sigla diferente, que passa de SI para AFI.

O serviço de espiões foi criado em 1946 pelo então presidente Juan Domingo Perón. O nome inicial foi Coordenação de Informações do Estado (Cide). Posteriormente o nome foi mudado para “Secretaria de Inteligência do Estado”, cuja sigla SIDE é usada até hoje pelo governo.

Com a dissolução da SI proposta por Cristina, os espiões sequer teriam o incômodo de mudar de endereço, pois permaneceriam no mesmo prédio na esquina da avenida Rivadavia e da rua 25 de Mayo, na lateral da Casa Rosada, o palácio presidencial (o edifício, chamado “Martínez de Hoz”, foi construído em 1929 pelo arquiteto racionalista Alejandro Bustillo e inaugurado em 1930).

“É só uma manobra para distrair. Não passa de uma mudança de nome que não muda nada na prática”, criticou o senador Ernesto Sanz, da União Cívica Radical (UCR), de oposição.

A “dissolução” da SI teria um único efeito concreto: a nova agência ficará sem as prerrogativas que a SI possui atualmente para os grampos telefônicos. Esta área que passaria para a Procuradoria-Geral da República, comandada por Alejandra Gils Carbó, declarada militante kirchnerista.

A reforma da espionagem, que seria cosmética e apenas restrita à SI, não implica em mudanças aos outros seis sistemas de espionagem no país: a dos serviços de espionagem das Forças Armadas, a Guarda-Marinha, a Gendarmería, a Polícia Federal, a da Secretaria de Segurança e a da Polícia de Segurança Aeroportuária.

Segundo a historiadora e jornalista Silvia Mercado, esta é a maior estrutura de espionagem da História da Argentina.

No ano passado o serviço de inteligência do Exército teve um aumento de 31,8% de seu orçamento. A Secretaria de Inteligência (SI), controlada por civis, recebeu um incremento de 16%.

Paradoxalmente, o aumento concedido por Cristina para o orçamento para os espiões militares ocorre em tempos de ausência de hipóteses de conflito.

As forças armadas argentinas – por lei, desde a volta da democracia – não podem realizar tarefas de inteligência interna. Teoricamente elas teriam que dedicar-se somente a ações para prevenir hipóteses de conflito com outros países.

Mas, o país não possui hipóteses de conflitos desde os anos 80, quando a Argentina fez os primeiros acordos com o Brasil (que levariam posteriormente ao Mercosul) e o tratado de fronteiras com o Chile, em 1984.

Segundo a oposição, os fundos para ampliar a inteligência militar foram destinados à espionagem interna, especialmente dos representantes de partidos políticos opositores, jornalistas, sindicalistas e empresários não-alinhados.

CONSPIRAÇÕES, COMPLÔS & AFINS – O objetivo, segundo Cristina, é o de eliminar uma estrutura composta por espiões que – segundo ela – estiveram “conspirando” contra seu governo e a “pátria”. A reforma do sistema de espionagem coincide com um “complô” que, de acordo com a presidente, foi feito por espiões em conjunto com o promotor federal Alberto Nisman.

Nisman, que morreu com um tiro na cabeça no 18 de janeiro, 4 dias depois de ter denunciado a presidente Cristina

A supracitada “conspiração” referia-se à denúncia feita por Nisman 4 dias antes de morrer com um tiro na cabeça, na qual indicava que a presidente Cristina teria ordenado em 2012 uma operação de encobrimento das altas autoridades iranianas que teriam planejado o ataque terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 1994.

blog1vinheta71bPEQUENO GLOSSÁRIO DE “ESPIONÊS” ARGENTINO:

– Servicios (Serviços): Forma para referir-se aos diversos sistema de inteligência da Argentina.

– Servicio (Serviço): No singular, forma de designar um agente. Por exemplo: “Ele é um ‘servicio’”.

– Service: Forma irônica, como se estivesse falando em inglês. “Gastão? Não sabia? Mas ele é um ‘service’!”

– Servilleta: Forma mais irônica ainda. Servilleta é “guardanapo”. Mas, não tem nada a ver com esse elemento de pano ou papel para limpar a boca. É uma gíria que brinca com o termo “servicio” citando outra palavra que começa com a mesma sílaba

– Agente orgânico: Os agentes dos serviços que estão registrados no plantel oficial desses organismos de espionagem.

– Agente inorgânico: Denominação dos agentes que trabalham para os sistemas de espionagem mas sem uma relação formal. No entanto, em alguns casos os inorgânicos trabalham bem mais que os orgânicos e ficam décadas nessas funções.

– Sobre: “Sobre” é “envelope”. Os subornos e pagamentos dos serviços de inteligência a colaboradores externos (juízes, promotores, jornalistas, assessores de políticos e os mais variados profissionais, entre os quais zeladores e porteiros) são enviados em envelopes.

– Cadena de la felicidad: Rede da felicidade. O dia – ou semana – em que são distribuídos os “sobres”.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios é desde 1996 o correspondente em Buenos Aires do canal de notícias Globo News, para o qual cobre os países da América do Sul. Ele foi o correspondente de O Estado de S.Paulo (1995-2015), da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Foi colunista da Revista Imprensa e colabora eventualmente com o Observatório da Imprensa.

Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com o correspondente internacional Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

Em 2014 recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

Ariel formou-se em 1987 na Universidade Estadual de Londrina (PR) e fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993.

Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

As teorias sobre a morte do promotor Nisman (das possibilidades às mais tresloucadas conspirações)

BlogPaulingQuadroNegroO Caso Nisman tem conexões e interconexões para todas os gostos possíveis. Se fossem transpostas para um quadro-negro, deixariam as anotações de Linus Pauling (acima, em foto de 1979)  no chinelo.

Desde que no fim da noite do domingo dia 18 de janeiro apareceu o primeiro tuíte do jornalista Damían Pachter informando sobre a morte do promotor federal Alberto Nisman, surgiram as mais variadas teorias sobre essa defunção, algumas das quais tresloucadas.

Nisman morreu quatro dias depois de ter denunciado a presidente Cristina Kirchner pela suposta negociação em 2012 de “um plano de impunidade e de encobrimento dos fugitivos iranianos acusados” do ataque terrorista contra a AMIA, realizado em Buenos Aires em 1994. No atentado morreram 85 pessoas. Outras 300 pessoas foram feridas e mutiladas. A Justiça argentina considera culpados do atentado o presidente do Irã na época, Ali Akbar Rafsanjani; o ex-chanceler Ali Akbar Velayati; o ex-ministro de Inteligência, Ali Fallahijan; o ex-chefe chefe da Guarda Revolucionária, Mohsen Rezai; o ex–chefe da Força Quds e ex-ministro da Defesa, Ahmad Vahidi; além de outros três diplomatas.

Além da presidente Cristina, a denúncia englobava o o chanceler Héctor Timerman, o líder piqueiteiro kirchnerista Luis D’Elia e o deputado Andrés Larroque, chefe de “La Cámpora”, denominação da juventude kirchnerista.

Aqui seguem todas as teorias que ouvi e vi:

– Nisman suicidou-se por depressão

– Nisman suicidou-se porque havia percebido que sua denúncia não tinha fundamento

– Nisman suicidou-se por motivos desconhecidos

– Nisman suicidou-se por chantagens do governo da presidente Cristina Kirchner

– Nisman suicidou-se por chantagens da oposição

– Nisman suicidou-se para colocar a culpa na presidente Cristina (uma espécie de ação similar à do advogado guatemalteco Rodrigo Rosenberg, que em 2009 – de acordo com investigações de uma comissão da ONU – ordenou a um grupo de jagunços que o assassinassem para colocar a culpa no presidente Álvaro Colom)

– Nisman foi assassinado por ordens do governo Kirchner

– Nisman foi assassinado por alguém que queria agradar a presidente Cristina Kirchner ao eliminar alguém incômodo para ela

– Nisman foi assassinado por ordens de líderes do peronismo dissidente (não existem teorias sobre eventuais ordens de outros partidos políticos, como se os únicos que pudessem ordenar um assassinato fosse algum representante das diversas facções peronistas) para complicar Cristina.

– Nisman foi assassinado pelo Grupo Clarín, considerado “inimigo mortal” pela presidente Cristina e acusado de todos os males do país pelo governo, tipo Valdemort na saga Harry Potter

– Nisman foi assassinado por espiões da Secretaria de Inteligência argentino em uma briga interna desse serviço (os mesmos espiões que foram designados pelo governo Kirchner nos últimos doze anos e que recebiam fundos cada vez maiores por parte da presidente Cristina)

– Nisman foi assassinado pela CIA (para prejudicar o governo Kirchner)

– Nisman foi assassinado pelo Irã (para eliminar uma pessoa incômoda que estava investigando a participação de Teerã no atentado da AMIA)

– Nisman foi assassinado pelo Mossad (uma manobra intrincada na qual mata-se um judeu argentino para colocar a culpa nos iranianos)

– Nisman foi assassinado pelo governo do venezuelano Nicolás Maduro (porque ele ameaçava os aliados governos da Argentina e do Irã)

– Nisman foi assassinado por um assunto passional (essa é uma versão que integrantes do governo tentaram instalar, baseados na insinuação feita pela própria presidente Cristina, indicando que Nisman e Diego Lagomarsino, seu assessor em informática, que foi a pessoa que emprestou ao promotor a arma calibre 22 que foi usada na morte 24 horas depois, eram “amigos íntimos”)

O assunto, longe (aparentemente) de se resolver a curto prazo, prometer ser um dos hit parades deste ano (um ano que, mesmo antes desta morte, prometia ser um colossal imbroglio).

blog1vinheta71bO cartunista Bernardo Erlich fez uma charge que resume o ceticismo dos argentinos sobre este sui generis caso. Ele apresenta as seguintes opões a escolher escritas em papeizinhos:

– Foi suicídio

– Não foi suicídio

– Foi suicídio induzido

– Foi morte

– Não temos a mais puta ideia

– É complicado…

Na sequencia, colocar os papeizinhos em uma caixa. Mistururar bem. E na sequência, em sorteio, retirar um papelzinho e o caso está resolvido…. BlogErlichAlternativas

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios é desde 1996 o correspondente em Buenos Aires do canal de notícias Globo News, para o qual cobre os países da América do Sul. Ele foi o correspondente de O Estado de S.Paulo (1995-2015), da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Foi colunista da Revista Imprensa e colabora eventualmente com o Observatório da Imprensa.

Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com o correspondente internacional Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

Em 2014 recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

Ariel formou-se em 1987 na Universidade Estadual de Londrina (PR) e fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993.

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